Institucional

Quem Somos

As Semanas Sociais Brasileiras são uma convocação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), por meio da Comissão Episcopal Pastoral para a Ação Sociotransformadora. É realizada de forma coletiva com as Pastorais Sociais, Igrejas Cristãs, Inter-religiões, Movimentos Populares, Associações, Sindicatos, e Entidades de Ensino, na pluralidade cultural e étnica do Brasil. A SSB articula as forças populares e intelectuais para o debate de questões sociopolíticas do país, para uma ação Sociotransformadora.  


História

As Semanas Sociais Brasileiras, promovidas pela CNBB desde 1991, são um serviço evangelizador para atuação sociotransformadora da Igreja no Brasil, com espírito macroecumênico e aberto à pluralidade cultural, étnica e religiosa brasileira. As Semanas Sociais transformaram-se em um espaço de fortalecimento da democracia participativa e direta, com participação de vários setores da sociedade civil, pastorais e movimentos sociais, movimento sindical, povos indígenas, comunidades tradicionais e grupos culturais.

Memória histórica das Semanas Sociais

6ª Semana Social Brasileira | 2020-2023

Mutirão pela Vida: Por Terra, Teto e Trabalho

A 6ª Semana Social Brasileira (6ªSSB) que, inicialmente planejou as ações presenciais entre 2020 e 2022, ampliou, em 2021, os processos dos Mutirões pela Vida até 2023. A crise gerada pela pandemia de covid-19, causada pelo novo coronavírus e outros aspectos sociopolíticos, implicou nos processos de metodologia e dinâmica de formações propostas pela 6ªSSB nos temas: Terra, Teto e Trabalho; assim como nos eixos estruturais: Economia, Democracia e Soberania.
O objetivo imediato da 6ª SSB é sensibilizar a sociedade, mobilizar e articular forças sociais, fortalecer e multiplicar as lutas por direitos para desencadear novos processos de organização popular em torno do desafio/apelo/exigência maior de nosso tempo: “nenhuma família sem casa, nenhum camponês sem terra, nenhum trabalhador sem direitos, nenhuma pessoa sem a dignidade que provém do trabalho”, papa Francisco.

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5ª Semana Social Brasileira - 2011-2013

Um novo Estado: Caminho para a Sociedade do Bem Viver

A 5ª Semana Social Brasileira apoiou a campanha de assinaturas, promovida pela Coalisão Democrática por uma reforma política e eleições limpas. 96 entidades se envolveram no processo, realizando aproximadamente 250 mutirões e possibilitando a articulação das pastorais sociais.
Apoiou ainda a convocação do referendo popular para a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte e a campanha para a demarcação dos territórios dos povos indígenas, quilombolas e pescadores artesanais. Por fim, solicitou ao papa Francisco a convocação de evento internacional sobre a vida do planeta e no planeta. Debateu o Sumak Kawsay, o Bem Viver dos povos indígenas da região Andina, os Quétchua e os Aymará, com a ideia central de uma vida em: harmonia consigo mesmo, com as outras pessoas do mesmo grupo, com os diferentes grupos, com a Pachamama, a Mãe Terra e seus filhos e filhas, as outras espécies e com as realidades espirituais.

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4ª Semana Social Brasileira | 2003-2005

Mutirão por um novo Brasil: Articulação das Forças Sociais para a Construção do Brasil que Queremos

A 4ª Semana Social Brasileira criou o Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Socioambiental (FMCJS). A iniciativa promove o debate permanente com a sociedade sobre as questões socioambientais e demanda políticas públicas para a sustentabilidade ambiental e prevenção de desastres. A 4ª SSB promoveu, por exemplo, o referendo popular sobre a privatização da Companhia Vale do Rio Doce.

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3ª Semana Social Brasileira | 1997-1999

Resgate das Dívidas Sociais: Justiça e Solidariedade na Construção de uma Sociedade Democrática

Da 3ª Semana Social Brasileira nasceu a Rede Jubileu Sul. A iniciativa fortaleceu a vida democrática participativa do país, com a organização popular no monitoramento da dívida externa. Nesse processo aconteceu o plebiscito popular contra a Área de Livre Comércio das Américas (ALCA). Ação que coletou dez milhões de assinaturas contrárias a este acordo. Nasceu também a Assembleia Popular, para criar mecanismos de discussões sobre questões sociais e articular as forças em defesa dos direitos civis e sociais.

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2ª Semana Social Brasileira | 1993-1994

Brasil: Alternativas e Protagonistas


A 2ª Semana Social Brasileira possibilitou a Articulação do Semiárido (ASA), com o envolvimento de mais de 400 entidades que atuam no Semiárido brasileiro. Desde então, a ASA atua na incidência para gerar políticas públicas de convivência o bioma estigmatizado pela seca. Destaca-se como resultado desse processo, a campanha pela construção de um milhão de cisternas para o armazenamento da água da chuva, em um processo pedagógico de educação popular, por todo semiárido. Da 2ª SSB, nasceu também o Grito dos Excluídos que, desde então, mobiliza ações populares durante a Semana da Pátria, em setembro.

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1ª Semana Social Brasileira | 1991

Mundo do trabalho: Desafios e perspectivas


A 1ª Semana Social Brasileira (1991), em sintonia com a Campanha da Fraternidade, que teve como tema: Fraternidade e o mundo do Trabalho, debateram os impactos das inovações tecnológicas à época e suas relações com o mundo do trabalho. Neste sentido, cresceram os processos de monitoramento das violações dos direitos civis e sociais para combater a escravidão e a precarização do trabalho. Em decorrência disso, como alternativa ao modelo de desenvolvimento, surgiram grupos de economia solidária apoiados pelos Sindicatos, e incentivados pela Cáritas Brasileira e Pastorais Sociais.



Missão

Articular pessoas de boa vontade, famílias, igrejas, movimentos sociais e populares, e a sociedade brasileira mobilizadas em “Mutirão pela Vida”, construindo o Bem-viver sem desigualdades, discriminações e preconceitos, propondo e assumindo ações concretas para conquista da Terra, Teto e Trabalho para todas as pessoas, especialmente as mais pobres.


A 6ª SSB se inspira no discurso que o Papa fez na Bolívia, quando afirmou que a “solução para os grandes problemas do mundo virá dos pequenos, dos excluídos, pois estes se movem com outra lógica de vida”. É hora de arregaçar as mangas para construir o grande “mutirão pela vida”.
Para alcançar esse objetivo terá como eixos estruturais: a economia, a democracia e a soberania.

A “soberania”, enquanto possibilidade dos povos se decidirem seu presente e seu futuro, neste contexto de globalização que enfraquece os Estados Nacionais e desrespeitam a autodeterminação dos Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais no cuidado que têm com seus territórios tradicionais. Além de dimensões como a soberania alimentar e nutricional, de territórios livres de agrotóxicos e transgênicos, entre outras. Desenvolver o caráter da soberania popular.

A “democracia”, na garantia de respeito ao Estado Democrático de Direitos e aos direitos conquistados na Constituição Federal de 1988, que exigem deveres de todos à participação social e ao exercício da cidadania da população na tomada de decisões sobre temas que afetam sua vida e da nossa Mãe-Terra. Tem como horizonte a construção de uma sociedade sem discriminações e preconceitos, que caminhe para Paz, como fruto da justiça social.

A “economia” para enfrentar o modelo tecnocrático dominante (LS 101) que coloca a vida a serviço do lucro. Ao invés de o dinheiro servir, ele se serve dos bens universais e transforma tudo na lógica do consumismo. Tal padrão de produção e consumo revela o excesso de antropocentrismo (LS 116), denunciado na Encíclica Laudato Si, e submete o povo brasileiro ao sistema da dívida, que coloca em risco a vida da população, enquanto o sistema financeiro tem bilhões de lucros. Será uma oportunidade para demonstrar as inúmeras experiências da economia popular e solidária que se organizam em redes por todo o país.

Mística e Espiritualidade da Semana Social Brasileira

A Semana Social Brasileira (SSB) envolve a vivência da fé, na realidade da vida, na promoção da dignidade de toda pessoa, na ação política para a transformação social, na vivencia do Sagrado, defesa dos direitos humanos fundamentais e da natureza.

A SSB faz parte da ação da Igreja no Brasil, com a pastorais sociais, movimentos populares e organizações da sociedade civil. É um mutirão ecumênico e inter-religioso entre os povos, com abertura para a pluralidade, religiosa, cultural e étnica do país.

Neste sentido, a Semana Social Brasileira se apresenta como um espaço privilegiado para o cultivo comunitário da espiritualidade através dos debates, dos momentos celebrativos com elementos lúdicos das regiões brasileiras e da cultura popular. A valorização do símbolo, que nas semanas sociais está representada com o Gira Sol, remete ao significado desta flor, que na cultura popular significa felicidade, trazendo em suas cores a marca da vitalidade, do calor, do sol e sua energia que nasce para todas as pessoas, para todos os seres vivos, refletindo a energia positiva necessária para a construção das lutas cotidianas e para as grandes transformações estruturais necessárias para a sociedade do Bem Viver.

O GIRASSOL, SÍMBOLO DAS SEMANAS SOCIAIS

O ciclo da flor do girassol é sempre o mesmo: todos os dias, desperta e acompanha o Sol de leste a oeste, à noite ela percorre o sentido contrário para esperar novamente saída do Sol na manhã seguinte. Mas quando chega à vida adulta, a rotina muda, deixa de acompanhar o Sol e permanece voltada para o oriente, até encerrar o ciclo.

 Um estudo publicado na revista científica Science, esclarece a mudança na rotina dos girassóis a partir da vida adulta. A resposta está nos ritmos circadianos, o relógio interno dos girassóis. Uma parte do talo dos girassóis se estica durante o dia, e outra à noite. “Quando se acomodam, as flores maiores desprendem um calor adicional, o que as torna mais atrativas para os polinizadores. E a polinização, por sua vez, permite que esse girassol maduro se reproduza, perpetuando a espécie e começando, novamente, o seu baile, em um novo ciclo de vida, em busca do Sol”.

De acordo com a sabedoria popular a flor de girassol significa felicidade, plenitude, transcendência. Sua cor amarela, ou os tons cor de laranja das pétalas, simbolizam calor, lealdade, entusiasmo e vitalidade, refletindo a energia positiva que emana do Sol. Na plantação de girassóis, em dias nublados, as flores viram-se umas para as outras buscando a energia e a luz uma nas outras.

  Por isso, esse é o símbolo das Semanas Sociais. E, assim quer ser a 6ª Semana Social Brasileira, diante dos desafios sociais, em mutirão: refletir, iluminar, construir e realizar a transformação necessária a partir de seus frutos para que um novo ciclo se inicie.

Método e Metodologia

As atividades das SSB,s são planejadas e realizadas a partir do método: ver, discernir, agir e celebrar. O caminho é dialogal, participativo, em forma de mutirões de conversa, diálogos, com descentralização da palavra e presença dos protagonistas que sofrem discriminação, preconceitos e perda de direitos.

O papa Francisco, na Exortação Apostólica Evangelii Gaudium (EG) – A Alegria do Evangelho, propõe quatro princípios que deverão orientar a metodologia e a organização da 6ª Semana Social Brasileira. São eles:

O tempo é superior ao espaço (EG 222 a 225) – “Este princípio permite trabalhar a longo prazo, sem a obsessão pelos resultados imediatos. Ajuda a suportar, com paciência, situações difíceis e hostis ou as mudanças de planos que o dinamismo da realidade impõe”. Na realização da SSB deve haver sempre a preocupação com a qualidade dos processos, envolver as pessoas e organizações, consultar e formar novas lideranças. Um dos pontos fundamentais é não falar sobre a situação dos grupos que se encontram em vulnerabilidade social, mas garantir a presença das pessoas e garantir seu lugar de fala.

A unidade prevalece sobre o conflito (EG 226 a 230) – “O conflito não pode ser ignorado ou dissimulado; deve ser aceito. Mas, se ficamos encurralados nele, perdemos a perspectiva, os horizontes reduzem-se e a própria realidade fica fragmentada. Quando paramos na conjuntura conflitual, perdemos o sentido da unidade profunda da realidade”. A SSB se propõe, seguindo a proposta da EG, em seguir uma das formas de enfrentar o conflito que é: “aceitar suportar o conflito, resolvê-lo e transformá-lo no elo de ligação de um, novo processo”. Desta forma, torna-se possível desenvolver uma comunhão nas diferenças. “Felizes os pacificadores” (Mt 5, 9)!

 A realidade é mais importante do que a ideia (EG 231 a 233) – “Existe também uma tensão bipolar entre a ideia e a realidade: a realidade simplesmente é, a ideia elabora-se. Entre as duas, deve estabelecer-se um diálogo constante, evitando que a ideia acabe por separar-se da realidade. É perigoso viver no reino só da palavra, da imagem, do sofisma”. É preciso considerar o que as pessoas que participam do Mutirão da SSB estão buscando, por mais que esteja “tudo pronto”. Faz-se aprimorar a capacidade de adaptar às necessidades concretas que as pessoas em situação de vulnerabilidade social e econômica apresentam nos mutirões.

O todo é superior à parte (EG 234 a 237) – “Entre a globalização e a localização também se gera uma tensão. É preciso prestar atenção à dimensão global para não cair numa mesquinha quotidianidade. Ao mesmo tempo convém não perder de vista o que é local, que nos faz caminhar com os pés por terra”. As ações locais são fundamentais para transformação social, mas devem estar conectadas a uma estratégia geral: apontar para uma nova sociedade. É importante esclarecer quais são os objetivos de cada ação que será desenvolvida e “gastar tempo” explicando os fundamentos e argumentos. Para enfrentar o fundamentalismo que prospera na sociedade é preciso resiliência e capacidade de escuta para compreender os questionamentos e buscar junto respostas para superar a confusão de ideias e a intolerância.

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